Estou montando mais uma banda, talvez mais um murro em ponta de faca, não sei se é defeito eu me entregar dessa forma na arte, mas eu me jogo, não tem jeito, não adianta eu me medicar contra isso, eu me jogo, me taco do abismo pra algo que tem tudo pra dar errado. Estamos em fase de ensaio, e todas as músicas são minhas do jeito que eu quero, se não for do meu jeito eu caio fora, com banda é assim, acho que o meu jeito é o certo e ponto, não vou obedecer a regra de outra pessoa, não quero ninguem mandando o que for pra eu fazer, não mando neles, nunca mandei em ninguem, só que se eu não falo ninguem faz nada, é simples assim.
Hoje levei a sua música, uma música completamente mascarada, ela não tem o teu nome, mas ao mesmo tempo sim, ela é em ingles, uma lingua que não domino (também sou horrivel com o português) demorei pra sugerir pra começarmos a trabalhar nos arranjos, tocamos todas as músicas que já tinhamos duas vezes, pra arrumar os detalhes, chegou a vez dela... fiquei nervoso na hora, tinha um ídolo meu assistindo o ensaio depois fomos comer algo e ele percebeu o meu nervosismo com a música, minha mão começou a tremer, mas fui... na coragem.
Tirei o papel do bolso, todo amassado porque estou sem impressora e copiei a mão, palavra por palavra, na última hora mudei o ritmo, ela nasceu folk, com gaita que eu tentei usar pra te impressionar, ficou boa, ficou afinada, mas não foi o bastante, transformei ela numa batida mais alegre pra contradizer o meu sentimento ao canta - la, agora... transformei ela numa batida super dançante, como de uma banda que você adora, eu quero te impressionar, e minha única forma é a música, não quero te trazer de volta pra mim com música, mas só quero que você perceba que eu estou vivo.
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